terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Terramotos e a Ciência




Ao terminar este ano encontrei uma notícia que me chamou a minha atenção. Dois cientistas estudaram o registo de terramotos ocorridos ao longo de séculos, e encontraram padrões do acontecimento de terramotos de grande magnitude que repetem de três em três décadas.
A ideia para suportar esta hipótese reside na variação cíclica da velocidade de rotação da Terra, que de trinta em trinta anos desacelera um pouco e esse facto provoca alterações na sua forma. A massa terrestre desloca-se para os pólos quando acelera e o efeito dessas alterações pode armazena uma quantidade de energia nas falhas geológicas que provocam os terramotos.

A noticia surge agora na imprensa porque, segundo parece, esse ciclo de trinta anos acontece em 2018. Seguindo esta teoria existe a possibilidade de o próximo ano trazer consigo um aumento do número de terramotos de grande magnitude.

Há muito que os cientistas perseguem um qualquer tipo de indicador para a sismicidade, isso dar-nos-ia um aviso do surgimento dos sismos, o que salvaria muitas vidas.
No entanto, com o conhecimento actual, prever terramotos é impossível! Sabemos, isso sim, onde é mais provável que eles ocorram através das zonas geográficas que apresentam as falhas na crosta terrestre que os provocam, mas não há forma de saber quando um determinado terramoto terá lugar.

No entanto, foi publicado um artigo[1] em que se apresenta uma “correlação” entre uma maior frequência de terramotos num determinado período de tempo e flutuações na rotação da Terra. Se isto for verdade vai permitir aos cientistas prever em que anos a frequência de terramotos tem tendência de aumentar. Muitos cientistas encontram-se muito sépticos em relação a esta hipótese. No entanto os autores do estudo tiveram uma enorme cobertura nos média levantando alguns dos problemas mais antigos do jornalismo sobre a ciência.

O problema está na pressão sentida pelos cientistas para publicarem artigos em revistas acreditadas, e para isso ter estudos com resultados que chamem a atenção o que leva os cientistas a manipularem os resultados dos seus estudos para conseguirem apresentar conclusões de impacto nos média

Quando chegam à comunicação social, esta toma por verdades conclusões provisórias e meras hipóteses, ou pelo menos apresenta-as como tal. Dizia um cientista que alguns dos trabalhos têm um eco extraordinário nas notícias, como é caso do estudo que chegou à conclusão de que um copo de vinho equivale a uma hora no ginásio[2]. Obviamente, notícias dessas põe em causa a credibilidade da ciência.

Não podemos esperar que todos os estudos apresentados estejam correctos, de cada vez que ouvimos uma notícia sobre um estudo científico, devemos ter presente a ideia de que quando apresenta uma teoria, um cientista não está a fazer mais do que isso: a apresentar uma possível explicação para algo, não uma certeza!

Segundo Bendick “alguém diz algo mais ou menos extravagante, toda a gente testa o seu trabalho e é assim que a ciência progride”, O estudo que fez com Bilham era, não uma previsão conclusiva de que 2018 será marcado por uma enorme quantidade de terramotos de grande magnitude, mas apenas mais um acréscimo ao lento progresso da Ciência.




[1] Bendick and Bilham, “Do weak global stresses synchronize earthquakes?”, Geophysical Research Letters, Published online 26 Aug 2017.
[2] https://www.youtube.com/watch?v=OVs6ozmZdfM

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Competições Nacionais de Ciência (22, 23 e 24 de Novembro)



As Competições Nacionais de Ciência vão realizar-se nos dias 22, 23 e 24 de Novembro. 


A Plataforma EDU@moz volta a estar activa, numa iniciativa da Organização Osuwela, do Programa Criando o Cientista Moçambicano do Amanhã (MCTESTP) e do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, financiada pelo Banco Mundial.



sábado, 4 de novembro de 2017

Porquê a Robótica? / Why Robotics?

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…Ei, miúdo! Levas aqui 100 meticais e vais comprar 4 pães, e trazes troco… Isto é o que qualquer pai diz a um filho e isto, basicamente, é matemática aplicada ao nosso quotidiano. Ou quando vamos no carro e está a chover, sabemos empiricamente que devemos ter cuidado com as travagens pois o atrito é menor, isto é claramente a física aplicada às nossas vidas. Todos nós já seguimos instruções para montar um móvel, ou para fazer um bolo… isto é programação! Ora todo o nosso quotidiano tem matemática, tem ciências e sem saber somos programadores e programados para executar tarefas tão básicas.

O STEM pode ser mais uma nomenclatura bonita de marketing, mas não é nada mais do que ajudar os professores a conseguir transmitir aos seus alunos que nunca irão fugir das matemáticas, nem das físico-químicas! Qualquer coisa que façamos implica conhecimento (nem que seja empírico) de matemática, física, química, informática. Se o sistema de ensino trouxesse o mundo para a sala de aula, ou quem sabe a sala de aula para o mundo, as pessoas perceberiam afinal as aulas matemática, ou de físico-química não são aquelas disciplinas que não fazem falta. Todos os professores que realmente me transmitiram conhecimentos, tinham por hábito utilizar exemplos de actividades quotidianas… saltos de paraquedas para descrever o movimento acelerado e tantas e tantas outras peripécias…

A robótica pode ajudar os professores se a introduzirmos desde cedo nos alunos… ela permite levar o mundo à sala de aula, permite mostrar os fenómenos físicos mais básicos e mais complexos de uma forma natural, quando se tem que projectar um robot capaz de levantar um determinado peso e deslocar-se a uma determinada velocidade, num plano inclinado… intuitivamente o aluno é exposto a estes fenómenos e automaticamente acabará por gostar de aprender mais profundamente a física que está por detrás!

Com a robótica a matemática torna-se aliada do aluno, ela está por todo o lado, 4 rodas, 2 parafusos, vira 30º…  operações matemáticas por todo o lado… o aluno brincando com o seu robot acaba por conviver naturalmente com a matemática. A movimentação do robot permite ensinar esse quebra-cabeças que é a trigonometria, simplificada, pois o aluno convive e resolve problemas de trigonometria a mover o seu robot. E com a matemática o aluno acaba por intuitivamente entrar no mundo da programação, pequenas operações matemáticas sob a forma de instruções. A programação do robot estimula a parte criativa de resolução de pequenos problemas… a repartir um grande problema em problemas menores!

Com o aprofundar da robótica, o aluno acaba por se interessar em aprender mais para criar melhores soluções. O aluno começa a interessar-se pela automação do seu robot, ganhando interesse pela Electrónica dos sensores do seu robot, ou pela electrotenica dos motores que movimentam os eixos do seu robot!

Concluindo, a robótica é a ferramenta STEM mais poderosa para aliciar os alunos para as áreas tecnológicas, que tantos alunos perdem ano após ano. Mas para além de trazer interesse por estas disciplinas, a robótica acaba por ser um promotor de leitura, quando o aluno acaba por se interessar e decide investir o seu tempo na procura de mais informações. E esta promoção da leitura também é um dos problemas que tanto preocupa a sociedade escolar….



... Hey, kid! You take here 100 meticais and go buy 4 loaves, and you bring the change ... This is what any parent says to a child and it's basically mathematics applied to our daily lives. Or when we go in the car and is raining, we know empirically that we should be careful how braking for friction is less, and this is, of course, the physics applied to our lives. We've all followed instructions to set up a piece of furniture, or to make a recipe ... this is programming! Now, all our daily lives are math, are science and without knowing, we are programmers and programmed to perform such basic tasks.

STEM may be another beautiful marketing nomenclature, but it's nothing more than a good helper for teachers to transmit to their students that they will never run away from mathematics or physico-chemistry! Anything meaningless we do implies knowledge (even empirical) of mathematics, physics, chemistry, and computer science. If the educational system brought the world into a classroom, or maybe a classroom for the world, people would finally perceive that the mathematical or physics-chemistry classes are not those disciplines they do not need. All teachers who really passed me on knowledge, through habits used examples of daily activities ... parachute jumps to describe the accelerated movement and so many other adventures...

Robotics can help teachers if it’s introduced to the students early on ... it allows to take the world to the classroom, allows to show the most basic and complex physical phenomena in a natural way. When you have to project a robot capable of lift a certain weight and move at a certain speed, on an inclined plane ... intuitively the student is exposed to these phenomena and automatically end up liking to learn more deeply the physics that lies behind!

With robotics, math becomes an ally to the student, it is everywhere, 4 wheels, 2 screws, turns 30º ... math operations are everywhere ... the student playing with his robot ends up living together, naturaly, with math. A robot drive allows to teach this puzzle which is a trigonometry, simplified, as the student solves trigonometry problems when driving his robot. And with mathematics the student ends up intuitively entering the world of programming, small mathematical operations in the form of instructions. A robot's programming stimulates the creative side of solving small problems ... one handing out a big problem into smaller problems!

With the deepening of robotics, the student turns out to be interested in learning more to create solutions. The student begins to get interested in the automation of his robot, gaining interest in the electronics of the sensors of his robot, or the electrotenics of the motors that move the axes of his robot!

In conclusion, robotics is the most powerful STEM tool to entice students to the technological areas, which so many students loses year after year. But, in addition to bringing interest on these disciplines, the robotics turns out to be a promoter for reading habbits, when the student turns out to be interested and decides to invest his own time in the search for more information. And this boost in reading habbits is also one of the problems that so worries the school society.



sexta-feira, 3 de novembro de 2017

As competições EQUAmat@moz têm data marcada!


As Competições Nacionais de Matemática vão realizar-se nos dias 22, 23 e 24 de Novembro. 
A Plataforma EDU@moz está novamente disponível para todo o país, numa iniciativa da Organização Osuwela, do Programa Criando o Cientista Moçambicano do Amanhã (MCTESTP) e do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, financiada pelo Banco Mundial. Todos os alunos do Ensino Secundário podem aceder à plataforma, realizar provas de treino e inscrever-se nas competições em rede, que vão realizar-se nos dias 22, 23 e 24 de Novembro.

Depois de uma pausa de quatro anos, as competições estão de volta. Alunos de todo o país podem agora aceder a esta plataforma, totalmente remodelada e mais simples de usar, e participar nas competições EquaMat@moz (Matemática) e a InformaTICs (Informática).

O ensino da Matemática de forma lúdica torna a disciplina mais atraente, permitindo formar alunos participativos, críticos e confiantes no modo como lidam com esta matéria. A exigência e a preocupação com a inclusão de todos os alunos, a criação de uma mentalidade que valorize o esforço e respeite os ritmos de aprendizagem dos alunos são os objetivos que estão por detrás desta competição, permitindo uma aprendizagem mais atrativa e interativa das matérias lecionadas.



Exploram-se as áreas de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) de forma lúdica, o que torna as disciplinas mais atraentes, permitindo formar alunos participativos, críticos e confiantes no modo como lidam com estas matérias. Também se pretende difundir o uso da Internet como ferramenta de aprendizagem e a utilização dos meios de comunicação disponíveis, já que agora todos devem usar o e-mail para aceder à plataforma EDU@moz.

A EquaMat@Moz nasceu em 2003 pela mão do Projecto Pensas – Plataforma de Ensino Assistido de Moçambique, um projecto da Universidade de Aveiro e do Ministério da Educação, apoiado pela Cooperação Portuguesa. Durante 10 anos, as Competições Nacionais de Matemática permitiram aos alunos utilizar a rede informática instalada para melhorar as suas competências na área de Matemática, de forma lúdica.

As competições estão alojados na plataforma EDU@moz podem ser acedidas em http://edumoz.net em qualquer dispositivo com ligação à Internet (telemóvel, tablets, computadores). Os alunos devem informar-se junto da sua escola ou Clube de Ciência sobre onde poderão realizar a competição na sua cidade/província.

Os prémios são fantásticos. Os seis alunos mais bem classificados de cada prova, irão participar em competições internacionais no próximo ano! 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Woman in STEM around the world


The figures revealed by the OECD show very different realities.

But what about Mozambique?
In Mozambique, only 20% of all students enrolled in Higher Education are attending courses in areas related to Science, Technology, Engeneering and Mathematics - and from these, only 2% are woman.

A very small number for the size of the country and its development needs, largely supported by science-based professions.
Very small also from the point of view of gender representativeness.

How can we motivate girls for Science?


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Bienal da Aprendizagem STEM+L está de volta a Moçambique

Maputo, 20 a 24 de Agosto de 2018


A Bienal da Aprendizagem, dedicada à Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, unidas pela Língua Portuguesa, começa a afirmar-se, no espaço da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, como um encontro marcante de educadores, cientistas, políticos e comunidade atentos à importância da Educação, da Ciência e da Tecnologia no desenvolvimento dos países membros.

As três edições anteriores, realizadas em Moçambique (2007), Cabo Verde (2009) e São Tomé e Príncipe (2011) procuraram contribuir para o desenvolvimento da qualidade do ensino através da análise de experiências alicerçadas em diferentes contextos e realidades, sempre com o objectivo de estabelecer quadros de boas práticas.

Em 2018, a Bienal vai regressar a Moçambique, com o objectivo global de contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento de competências dos docentes no ensino e na aprendizagem de STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática e Língua Portuguesa, reforçando a coesão, a cooperação e o intercâmbio de experiências dos docentes oriundos dos vários países e realidades do universo da Língua Portuguesa.

Este encontro será um veículo de partilha de experiências e apresentação de soluções tendo em vista optimizar o sistema de ensino e de aprendizagem, construindo pontes entre profissionais e instituições dos diversos Estados Membros presentes. Terá ainda um espaço expositivo dedicado às áreas da Educação, Tecnologia e Ciências, bem como acções de formação para professores.

Mais informações em Osuwela

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A EquaMat@moz, regressou a Moçambique!

As questões do insucesso escolar, em particular na disciplina de Matemática, estão na ordem do dia. Conhecer as suas causas e encontrar formas de as combater é uma prioridade em todos os graus de ensino.

Foi com base nesta perspectiva que em 2003 nasceu em Moçambique, por iniciativa do Projecto Matemática Ensino da Universidade de Aveiro, antes do Projecto Pensas, a EQUAmat@moz, uma competição nacional de Matemática que utiliza as ferramentas informáticas existentes e adapta os conteúdos ao programa escolar moçambicano. Posteriormente, esta competição foi integrada no Pensas – com o apoio do Ministério da Educação Moçambicano, da Cooperação Portuguesa e da Universidade de Aveiro. Ano após ano, o Projecto Pensas realizou, em articulação com o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério da Educação de Moçambique, as Competições Nacionais de Ciência em Moçambique, uma iniciativa que permite aos alunos de todo o país competirem usando a rede informática instalada. Com o fim do financiamento do Projecto Pensas, em 2013, a EquaMat@moz deixa de estar no ar!
Mas a geração que viveu esta iniciativa nunca a esqueceu!
E eis que surgem, este ano, novamente as Competições Nacionais de Ciência numa iniciativa da Osuwela, do Programa Criando o Cientista Moçambicano do Amanhã (MCTESTP), Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano e financiado pelo Banco Mundial.

A plataforma EDU@moz foi totalmente remodelada e está mais simples de usar e totalmente dirigida ao aluno. Neste momento suporta as competições EquaMat@moz (Matemática), a Fis@moz (Física) e a InformaTICs (Informática).  
O espírito, esse, é o mesmo – jogar para aprender!
Exploram-se as áreas de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) de forma lúdica, o que torna as disciplinas mais atraentes, permitindo formar alunos participativos, críticos e confiantes no modo como lidam com estas matérias.
A exigência, e a preocupação com a inclusão de todos os alunos, a criação de uma mentalidade que valorize o esforço e respeite os ritmos de aprendizagem dos alunos são os objectivos que estão por detrás desta competição, permitindo uma aprendizagem mais atractiva e interactiva das matérias leccionadas.
Também se pretende difundir o uso da Internet como ferramenta de aprendizagem e a utilização dos meios de comunicação disponíveis, já que agora todos devem usar o e-mail para aceder à plataforma EDU@moz.
As competições EDU@moz estão disponíveis apenas para os utilizadores em Moçambique. Podem ser acedidas através do sítio do MCTESTP, MINEDH .

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Tempestades Magnéticas

 (foto da NASA)
Não é comum falarmos de tempestades magnéticas... são coisas do espaço! Acontece que a NASA divulgou imagens de um fenómeno raro observado na superfície do Sol. Trata-se de uma erupção solar que liberta grandes quantidades de radiação electromagnética. 

O Instituto Lebedev, que pertence à Academia de Ciências Russa, mediu a intensidade desta erupção solar, que atingiu X8.3 (a intensidade maior registada foi de X20, em 2003) a 10 de Setembro deste ano. A intensidade foi tão grande que segundo a NASA  a energia libertada, sob forma de raios X sobrecarregou o sensor do satélite encarregue de observar o Sol.

Qual é a importância destas erupções para os terráqueo? Nós somos afectados por tempestades magnéticas resultantes das erupções solares, que nos atingem sob a forma de ventos solares, ou seja, durante a erupção o Sol expulsa biliões de partículas que posteriormente atingem a Terra.

Alguns cientistas afirmam que os efeitos de uma tempestade magnética podem fazer-se sentir em pessoas mais sensíveis sob a forma de desconforto físico, dores de cabeça, irritabilidade e ansiedade. No entanto, ainda é impossível prever com precisão o que provoca nas pessoas uma tempestade magnética. 

A Terra não está completamente desprotegida e através do seu campo magnético minimiza os efeitos deste fenómeno, além disso os seres humanos sempre conviveram com actividade solar mesmo antes de o conhecerem e de a medirem.

Mas porque estamos a falar deste fenómeno? 

É que hoje, Sexta-feira (13 de Outubro de 2017), a Terra vai sofrer os efeitos de uma tempestade magnética provocada pelos vento solares da última grande erupção solar e que o campo magnético terrestre pode vir a sofrer alterações nos próximos dias. É sabido que estas tempestades podem afectar os equipamentos electrónicos destinados à navegação e às telecomunicações e provocar acidentes por estes apresentarem dados errados.

Hoje, sexta-feira, 13 de Outubro, provavelmente nada vai acontecer de anormal nas nossas vidas. Apenas e só o mesmo perigo de sempre – estar vivo!




terça-feira, 10 de outubro de 2017

O cortador de relva que incomoda a observação do Espaço!

O desenvolvimento científico e tecnológico tem destas coisas: uma empresa desenvolveu um robô para cortar a relva sem necessidade de intervenção do Homem. Na verdade também não é assim! O que o robô faz é evitar que se transpire a cortar a relva sendo, no entanto necessário balizar a actuação do aparelho para que ele não invada o terreno dos vizinhos. E é neste aspecto que representa o verdadeiro problema – o espectro electromagnético utilizado pelo corta-relva para balizar a sua acção.

A história tem que ver com uma banda de espectro electromagnético que está no centro deste conflito entre o Observatório Nacional de Rádio Astronomia dos Estados Unidos e uma pequena empresa de tecnologia robótica. A causa do desentendimento é a utilização de uma parte de espectro electromagnético que se tornou num grande problema para as ambas empresas. A iRobot, a pequena empresa que fabrica os aspiradores robôs Roomba, descobriu essa zona do espectro electromagnético que não estava a ser utilizada e passou a utilizá-la para incorporar nos seus robôs de exterior. 


Como foi dito esta empresa, desenvolveu um equipamento que corta a relva de forma autónoma, balizada dentro de uma determinada área. A concorrência para fazer o mesmo trabalho enterra cabos no solo, mas a iRobot quer inovar para se tornar mais competitiva e para isso quer substituir este sistema por outro tipo de balizas. 

Estas balizas irão comunicar com o robô cortador de relva recorrendo a ondas de rádio na faixa dos 6240 a 6740 MHz, que não é usada por ninguém! Pensava assim a dita empresa! Na verdade esta faixa é usada pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia.

É assim que este simples cortador de relva incomoda a observação do cosmos. O Observatório dos Estado Unidos opera radiotelescópios no continente americano e acontece que estes telescópios usam a mesma frequência do cortador de relva para detectar metanol no espaço. Sendo que a presença do metanol indica a formação de estrelas.

O Observatório acusa o robô corta-relva da iRobt de provocar um zumbindo tal que poderá influenciar, e parar mesmo, a leitura dos poderosos radiotelescópios situados no Novo México, Virgínia Ocidental e Porto Rico. Esta descoberta veio atrapalhar o negócio de milhões de dólares resultantes da venda dos robôs por este mundo fora.

Esta é uma história curiosa de como um dispositivo para o consumo doméstico recorre a tecnologias que antes eram somente utilizadas ao nível astronómico. Mas é também a forma de ilustrar de como a ciência pode ser um negócio, não só em grandes projectos a nível espacial mas numa simples e poderosa empresa de electrodomésticos que factura milhões de dólares.
Vale a pena reflectir sobre esta história no sentido de perceber como podemos tirar partido da inteligência e do conhecimento adquirido para criar empresas de base tecnológica em nichos de mercado ainda por explorar. 

Acreditem que ainda falta criar e inventar quase tudo!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sentir.com - o que pensa da Exposição?

Está on-line a primeira entrevista feita a partir da exposição Sentir.com - Museu de História Natural.

O que pensa da Exposição?




Um trabalho da Eunice Combane - UPI

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Aprender a estudar

Estudar não é só ler nos livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livres,
sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes, urgente,
mas os livros não são o bastante
para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer:
Aprender a estudar, a conhecer os
outros a ajudar os outros,
a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros,
aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo
e ter um amigo também é estudar
Estudar também é repartir
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado
Sem ninguém nos ditar;
E se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois, na escola da vida,
primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta de somar
que se pode fazer.
Dizer apenas música,
quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redação do mundo...
Estudar é muito
Mas pensar é tudo!

 Ary dos Santos (1937-1984)  

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(José Carlos Pereira Ary dos Santos (Lisboa, 7 de Dezembro de 1937 — Lisboa, 18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador português.)

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

SENTIR.COM - Exposição interactiva C&T











Composta por dez módulos interactivos que, num conjunto coerente!e de forma apelativa e lúdica, permitem a familiarização com os fundamentos científicos de várias formas de comunicar, em relação com os 5 sentidos.

Uma exposição interactiva itinerante que se destina ao público escolar, mas está também adequada ao público adulto, fomentando o diálogo à volta da Ciência.
Pode visitar a Exposição no Museu de História Natural, Maputo, Moçambique.

Comunicação visual
  1. Módulo em que se explora a emissão e a detecção de radiações ultravioletas, visíveis e infravermelhos, em relação com todo o espectro electromagnético. Efeitos de luz polarizada, na gama do visível. Relações tecnológicas com a transmissão electromagnética dos nossos dias e com a comunicação visual no mundo animal.
  2. Módulo em que se usam filtros, em relação com o fenómeno da cor e com a visão quer no homem quer noutros animais.
  3. Módulo em que se usam lentes e olhos simulados, numa introdução à física e fisiologia da imagem nos olhos dos vertebrados e noutros animais. Defeitos de visão, máquina fotográfica e outras aplicações.
Comunicação sonora
  1. Módulo sobre a natureza dos sons, infra sons e ultrasons, em estreita relação com a comunicação entre animais. Relações tecnológicas.
  2. Módulo sobre as relações entre a música e a matemática, duas linguagens universais.
  3. Módulo em que se usa um ouvido simulado, numa introdução à fisiologia da audição nos humanos e noutros seres. O meio material e a transmissão do som.
Comunicação táctil
  1. Módulo sobre sensações tácteis em geral, incluindo a sensação de dor e as sensações de frio e quente.
  2. Módulo sobre o código de Braille e relações com outros códigos de comunicação, em especial o código binário e suas aplicações tecnológicas.
Comunicação química
  1. Módulo sobre a química e a biologia do cheiro nos humanos. Relações com comunicação e orientação noutros animais. Percepção de riscos.
  2. Módulo sobre o gosto, com identificação de sabores e interacção com o sentido do olfacto.
... com Soraia Amaro.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Roer as unhas faz muito bem... salva os rinocerontes!

“Não roas as unhas!”, quem é que não ouviu esta advertência? Todos nós em algum momento das nossas vidas. Para evitar este vício desenvolveram-se vernizes, que dão mau sabor para evitar esta relaxante actividade. Mas a verdade é algo que vai passando de geração em geração e não parece querer desaparecer da “ecologia alimentar”. Mas porquê roer as unhas? Um dos motivos mais apontado é uma manifestação de ansiedade, mas na verdade é mais um hábito sem grandes consequências para a evolução da Humanidade, mas que pode salvar uma espécie da extinção.
Foto: South African Department of Environmental Affairs

Muito recentemente surgiu um facto que talvez ajude a contextualização desta actividade e que de alguma forma pode levar à compreensão da mesma. Mas para isso temos que falar de uma outra espécie… o rinoceronte.

No Mundo existem cinco espécies de rinocerontes, duas em África e as restantes na Ásia. Em África existe o rinoceronte branco e o rinoceronte negro. Não vamos explicar agora as diferenças entre eles mas que fique claro que nada têm que ver com a cor.

As populações de rinocerontes vivem em permanente ameaça de extinção, ameaça esta que se estende a todas as espécies que têm de conviver com o ser humano na Terra. Mas é nos últimos anos que o fantasma da extinção tem assombrado mais este imponente mamífero.

Desde 2008 que se vem assistindo a uma desenfreada perseguição a esta espécie com um único objectivo – retirar-lhe o seu corno. O interesse vem da parte da medicina tradicional chinesa que o usa para tratar algumas doenças: febres, reumatismo, gota, dores de cabeça e até febre tifóide. Ao contrário do que as pessoas pensam a questão o efeito afrodisíaco não está na bula do corno de rinoceronte.

Mais recentemente este pseudo-medicamento foi alvo de uma enorme procura em países Asiáticos, como o Vietname e que acrescentaram à lista de tratamentos as ressacas e as doenças terminais. É caso para dizer que a dor de cabeça de uns é a morte de outros. Sendo que a humanidade não se livra das dores de cabeça e os rinocerontes vão desaparecer da face da Terra. Este último facto causa de facto muitas dores de cabeça!

Mas é aqui que entra a questão das unhas. O material com que é feito o corno de rinoceronte é em grande parte de uma proteína chamada queratina, mais alguns sais de cálcio que lhe dá a dureza e melanina que protege dos raios UV. Ora nós, seres humanos, também temos queratina... e muita! Adivinhem onde? A queratina é o material de que são feitas as unhas e o cabelo.

A ser verdade o que se disse anteriormente sobre o corno de rinoceronte, roer as unhas fazia desaparecer qualquer dor de cabeça e sabe-se lá que mais! Infelizmente está comprovado cientificamente que o uso do corno de rinoceronte para curar o quer que seja é apenas uma ilusão! A queratina, do corno de rinoceronte e das nossas unhas, não tem nenhum efeito na saúde humana. Mas é como tudo na vida, quando uma pessoa acredita muito… o chamado efeito placebo.

Por isso, quando se vê alguém a roer as unhas, a comer o cabelo ou, em menos casos, a roer os cascos de um cavalo, que também são feitos de queratina, é apenas por puro prazer!

A ideia criada em torno do uso do corno de rinoceronte para aliviar as dores de cabeça após uma longa noite de farra, tem como consequência a morte de mais de 3500 rinocerontes, desde 2008, só na África do Sul. E mais assustador ainda é que esta perseguição tem aumentado ano após ano.

Talvez a dor de cabeça maior seja verdadeiramente a perda de uma espécie majestosa por causa de um mito. Pensem bem, já existem soluções baratas para tratar as dores e cabeça e os excessos de uma noite de farra, mas se acreditar mesmo que a queratina é a solução, então roa as unhas! E todos vamos dizer “roer as unhas faz muito bem… salva os rinocerontes!”.



com Nuno Negrões – Biólogo, Investigador e Divulgador de Ciência

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

C&T – um casamento, quase, perfeito!



A toda a hora somos confrontados com os termos empreendedorismo, inovação, tecnologia, desenvolvimento, ciência, em diversos meios de comunicação social. Torna-se importante perceber como surgem e porque surgem estes temas na linguagem dos média. Mais importante ainda é perceber qual o papel, conteúdo e importância dos mesmos no dia-a-dia.


A Revolução Industrial teve início em Inglaterra, entre 1760 e 1860, e foi marcada por um grande avanço tecnológico nos transportes, nas máquinas e obviamente na forma de produzir. Mais tarde, de 1860 a 1900, dá-se a expansão industrial em vários países e inicia-se a utilização de novas formas de energia eléctrica e energia derivada do petróleo. Mas foi a partir de 1900, que a revolução industrial atingiu os domínios da automação, robótica e se dão os primeiros passos na engenharia genética. A ciência, cujo crescimento está ligado de alguma forma à tecnologia atinge um grande desenvolvimento no século XVI, com o aparecimento do microscópio óptico. Desde modo a revolução industrial apresenta uma evolução inseparável da sua aplicação ao mundo desenvolvido. Desde o século XIX que a investigação científica e a tecnologia estão cada vez mais unidas e organizadas socialmente e, a partir do século XX, tornaram-se industrializadas e olhadas de um modo empresarial – nascendo aqui a base dos empreendedores de hoje aqueles que ousam inovar e correr riscos.

As políticas para a promoção da ciência e tecnologia (C&T) têm hoje avultados investimento em Ciência e atingem verticalmente todo o sector da Educação – desde a escola primária, às unidades de pesquisa e desde as Universidades até às empresas. Um exemplo clássico, referido assim em muita literatura, é o que aconteceu nos Estados Unidos após o lançamento do Sputnik, em 1957 – onde o investimento em Ciência e Tenologia foi estrondoso. Após este facto os avanços relevantes em termos de ciência e tecnologia surgem como medida de avaliação do desenvolvimento das nações no mundo.

Este abraço entre Ciência e Tecnologia comporta alguns desafios e a necessidade de criar cidadãos bem informados.

Tome-se como exemplo a biotecnologia. Esta é usada para produzir, modificar produtos para uso específico e tem sido aplicada na produção de alimentos, produtos químicos, bebidas e outros produtos dos quais colhemos o benefício em muitas áreas incluindo nutrição e cuidados sanitários desde há centenas de anos. Hoje a biotecnologia tem muitas mais áreas, por exemplo na saúde, na agricultura e nas pescas onde o seu impacto é enorme. No entanto se abrirmos um jornal facilmente encontramos referências: ao SIDA, ao aparecimento de bactérias resistentes a antibióticos, a novas armas biológicas, reciclagem, poluição, novos progressos e esperanças (tratamento de cancros, envelhecimento com qualidade de vida, tratamentos de doenças. Mas também de novos dilemas éticos como por exemplo a clonagem humana, também eles resultantes do avanço da Biotecnologia. Na verdade este é um confronto da ciência e tecnologia com a sociedade e que nos levanta muitas questões que têm influenciado a própria condição do homem.

O papel da Escola e os desafios constantes da Ciência.
Na Escola concretiza-se o direito à educação e esta tem uma origem dupla: alimentar… e conduzir para… Deste modo a educação resulta da preocupação de alimentar o aluno com conhecimentos e dar-lhe todas as ferramentas para o desenvolvimento das suas capacidades. Alimentar o aluno, isoladamente, é apenas ensinar o que reduz a educação a uma função instrumental de transmissão do conhecimento. Sendo que dar-lhe todas as ferramentas para o desenvolvimento das suas capacidades torna-se fundamental na educação – onde o principal objectivo é o desenvolvimento global da personalidade do aluno.

Neste Mundo em que vivemos os conhecimentos são substituídos por outros rapidamente e tudo muda à nossa volta de igual forma vertiginosa e a escola deve preparar a maioria dos seus alunos com os requisitos mínimos para uma inserção rápida no mercado de trabalho. Em suma tem de criar ou estimular o poder de reflexão e de crítica aliada a uma grande flexibilidade de raciocínio adaptado a novas situações.

O ensino das ciências tem que promover a construção e o aprofundamento do conhecimento científico para o desenvolvimento de competências que permitam o exercício da crítica, reflexão e entender a importância da Ciência hoje em dia, na qualidade de vida e na organização da sociedade.

A necessidade de ter uma verdadeira literacia científica, associada a um ensino das ciências capaz, vai permitir uma maior aquisição de conhecimento científico e a sua aplicação desse conhecimento em situações reais. É este o caminho para a promoção da participação activa na sociedade, através da discussão dos grandes desafios e questões levantadas pelo avanço das ciências e da tecnologia.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Mozambique Skills Baseline Study



Mozambique has experienced a significant increase in activities associated with the mining and exploration of its mineral resources, with major oil and gas discoveries,development and production in the central region and anticipated development and production in the northern region. This has led to a dramatic increase in the inflow of foreign labour. Given the importance and high potential levels of economic growth that these projects might bring to Mozambique, together with the acknowledgement that the country does not have the required skills readily available to implement/deliver on these projects, the Government has approved the decree for contacting foreign labour in the mineral resources sector.

Although it is important for the Government to approve the inflow of foreign labour to the country to meet immediate needs, the Government is highly concerned about the lack of availability of Mozambicans to sustain these projects in the long term.The progressive increase in the activities of exploration and processing of mineral resources in Mozambique calls for a corresponding increase in qualified and seasoned technical professionals. The country is facing a general shortage of skilled labour especially in the mining, energy and chemicals industries, resulting in a very high dependency on foreign labour. [...]

Mozambique_Skills_Baseline_Study (2017)

Author:
Antonio Batel Anjo
Soraia Amaro
Zeferino Martins

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A luz é o acto sexual entre o Céu e a Terra


Na abertura de Ano Internacional da Luz, em 2015, na sede da UNESCO em Paris, o arquitecto mexicano Gustavo Avilès afirmou: “A luz é o acto sexual entre o Céu e a Terra.” Será necessário apelar à nossa imaginação para perceber a existência de um ser sem a presença da Luz. Temos uma certeza esse ser não seria nada parecido connosco! Vamos a mais uma manifestação da Luz e dos fantasmas que é capaz de criar – os hologramas.

Os hologramas, do grego holos (inteiro) e graphos (sinal ou imagem), são registos de objectos que quando iluminados de uma forma específica permitem ver os objectos que lhe deram origem. Na fotografia registamos as diferentes intensidades de luz proveniente do objecto a fotografar, os hologramas vão mais longe e registam a fase da radiação luminosa proveniente do objecto. É nesta mesma fase que está contida a informação sobre a posição relativa de cada ponto do objecto permitindo deste modo reconstruir uma imagem com informação tridimensional.

Vamos imaginar que se trata de uma “fotografia tridimensional”. Na verdade isto só é possível graças à propriedade ondulatória da luz. Na fotografia tradicional são apensas registados as variações de amplitude das ondas luminosas – a intensidade. A holografia recorre a um raio laser para produzir imagens em relevo. Esta técnica foi inventada pelo físico húngaro Dennis Gabor e cuja importância é bem patente na atribuição do prémio Nobel de Física em 1971.

Para produzir um holograma precisamos de uma fonte de luz que se propague numa só direção – um laser, e uma superfície hipersensível. A luz proveniente do raio laser é dividida em dois feixes: o primeiro ilumina o objeto e que o reflete sobre superfície o segundo feixe ilumina diretamente a superfície. Essas duas fontes luminosas criam o holograma – uma irreconhecível sucessão de faixas e anéis concêntricos. Quando ele é iluminado a luz transforma as faixas e os anéis numa representação tridimensional do objecto.


A dependência do laser era muito limitativa até que em 1965 o físico russo Yu Dnisyuk conseguiu produzir um holograma visível sob a luz comum.

Os hologramas ainda estão nos domínios dos protótipos, ainda utilizam muita informação e como tal exigem muita capacidade de processamento assim como o desenvolvimento dos lasers e restantes materiais usados para que se tornem mais baratos e simples. A quantidade de informação terá de ser resolvida através de codificações eficazes na compressão dos dados tridimensionais. Estes possuem mais uma dimensão que os tradicionais sinais de imagem e vídeo que terá de ser convenientemente explorada. Quanto aos materiais em si é natural que ao longo do tempo se desenvolvam e se tornem mais simples, eficazes e baratos, como acontece com qualquer tecnologia.

O conceito de holografia associado a vídeo 3D poderá ser muito útil por exemplo para facilitar diagnósticos médicos em que uma melhor visualização de órgãos, cavidades ou outras partes do corpo podem revelar pormenores que actualmente não são tão visíveis. Esta mais-valia também é válida para visualização de peças mecânicas a 3D.

Uma vez que o mercado da holografia estará no grande consumo no futuro, as duas grandes áreas que deverão sofrer mais alterações face ao seu formato actual serão a publicidade e o entretenimento. Na publicidade claramente as três dimensões permitem captar mais atenção de cada pessoa e de mais pessoas, ou seja, assenta que nem uma luva nos objectivos da publicidade ao passar a mensagem de maneira muito mais eficaz. No entretenimento trata-se de atingir uma maior tele-presença ao dar mais realismo e detalhe á experiência proporcionada aos utilizadores.

Hologramas bem pertinho de nós!

No caso das aplicações em segurança os materiais para os quais os hologramas são transferidos por cunhagem e os próprios materiais de suporte – papel-moeda, documentos de identificação e muito outros. O novo Bilhete de Identidade contém uma parte holográfica composta pelo símbolo do República Moçambique e nas notas podemos observar o logótipo do Banco de Moçambique e o valor da denominação alternadamente quando a nota é inclinada em diferentes ângulos.

Mais espectacular ainda é a cantora japonesa, Miku Hatsune. Trata-se de um humanoide criado pela Crypton Future Media. Procurarem no Youtube e vão poder assistir a um verdadeiro espectáculo de um fantasma de Luz.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Robótica em Moçambique

Moçambique ficou no 29 lugar nas Olimpíadas Internacionais de Robótica em Washington #FGC2017.

Alcina, Hélder, Fernando e o mentor Patrício tiveram uma fantástica participação. Parabéns!



sábado, 15 de julho de 2017

Team Mozambique in Washington




With just a few days left before the 2017 FIRST Global Challenge's inagural Opening Ceremony at DAR Constitution Hall in Washington, DC, it is my sincere pleasure to invite those of you in the area to attend in person, and those of you who cannot, to join us via the live-stream of our event, which will broadcast the entire procession – from the Opening to Closing Ceremony.


After nearly a year of hard work, you will be able to see all that the 163 FIRST Global teams from 157 countries around the world have accomplished, as they walk onto the stage at this global event.

Included below is the website address that you will be able to click on once the 2017 FIRST Global Challenge begins, which will allow you, your family, friends, and more to view FGC2017 as it happens.


1) Live Stream Weblink: http://first.global/live

2) Event Schedule:
  • Sunday 16 July
    • Opening Ceremony – 5:30pm - 7:00pm EDT (9:30pm - 11:00pm GMT)
  • Monday 17 July
    • Competition Day #1 – 8:25am - 5:40pm EDT (12:25pm - 9:40pm GMT)
  • Tuesday 18 July
    • Competition Day #2 Games – 8:25am - 5:40pm EDT (12:25pm - 9:40pm GMT)
    • Closing and Award Ceremony – 5:40pm - 7:00pm EDT (9:40pm - 11:00pm GMT)

domingo, 2 de julho de 2017

Imitar a Natureza

A natureza sempre nos serviu de inspiração na hora de inovar e criar novos artefactos com o objectivo de tornar a nossa vida mais fácil. Não é difícil imaginar que o desenho dos navios e dos aviões tiveram a sua origem em horas e horas de observação e um profundo estudo da fisionomia dos peixes e das aves. A nossa aventura na Terra obriga a conhecer profundamente aqueles que tão bem exploram e dominam os diversos meios.

Há cerca de 3,8 biliões de anos, desde o surgimento dos primeiros micro-organismos na Terra, a Natureza vem acumulando uma considerável experiência em termos de evolução. Já passaram por aqui espécies que tiveram um enorme sucesso, como as esponjas do mar que têm 760 milhões de anos de existência, e outras que desapareceram, como os dinossauros, há cerca de 65 milhões de anos. As espécies sobreviventes representam apenas 1% de todas as que já passaram pela Terra ou seja 99% delas foram extintas.

Apesar de parecer que desde sempre ocupamos a Terra a nossa história começou há apenas 200 mil anos, somos uma espécie muito nova e temos muito que aprender com os milhões e milhões de anos de tentativas e erros das plantas, animais e micro-organismos na luta pela sobrevivência. Na verdade só temos que imitar as estratégias desses génios da natureza.

Esta arte de estudar as estruturas biológicas e suas funções chama-se biomimética e pertence a um campo de trabalho interdisciplinar entre a Ciência dos Materiais, Engenharia e Biologia, que estuda o uso de princípios biológicos para síntese ou fabricação de materiais biomiméticos, tem tido um vasto campo de aplicações em diversos domínios da ciência. A etimologia do termo biomimética está relacionada diretamente com a conjugação dos termos gregos bios: vida; e mimesis: imitação.

Um exemplo, já antigo, é o velcro que foi patenteado pelo engenheiro suíço Georges de Mestral, Quando regressava de uma jornada de caça observou como as sementes de uma planta do Género Arctium insistiam em colar-se à sua roupa e ao pelo do cão. Depois de um olhar mais atento às estruturas destas sementes inspirou-se para conceber a maior inovação no mundo do vestuário dos últimos anos. Mais recentemente um engenheiro japonês, Eiji Nakatsu, encontrou no bico do Martim-pescador a inspiração para o desenho do nariz de um comboio de alta velocidade. Que se viria a revelar perfeito em termos redução de ruído e gasto de energia, ao mesmo tempo que consegue atingir velocidades maiores.

Já devíamos saber que não há melhor laboratório no Mundo que o próprio Mundo. Funciona há milhares de anos e que tem vindo a adaptar os diferentes seres vivos à realidade em constante mutação permitindo deste modo a sobrevivências das espécies. É um grande laboratório a que chama Evolução!

Actualmente a Biomimética aplica-se em áreas tão diversas como a arquitectura, energia, transporte, agricultura, medicina e à comunicação.

Se por um lado estamos a aprender com as baleias como produzir energia eólica mais eficiente por outro estudamos atentamente as termiteiras para podermos construir edifícios mais eficazes energeticamente. E que dizer do mosquito, esse animal que é responsável por milhares de mortes em todo o mundo mas que nos está a “ensinar” a desenhar agulhas menos dolorosas.

Talvez a Natureza tenha mais soluções para os nossos problemas do que pensamos. Na próxima vez que passear por uma qualquer cidade procurem nela a Natureza escondida nos pormenores. Da mesma forma procurem as soluções para os problemas olhando atentamente a Natureza. 


Tudo se resume a prestar muita atenção à Natureza ao que o que está em redor e a resposta está quase sempre diante dos nossos olhos. Ser imaginativo, curioso, estudioso e atento compensa sempre!
Acreditem!


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com Nuno Negrões – Biólogo, Investigador e Divulgador de Ciência