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terça-feira, 22 de maio de 2018

De onde vêm os Profissionais da Ciência do futuro?


Os profissionais das Ciências, Tecnologia, Ciências Naturais e Matemática (CTEM), e vamos aqui falar apenas das Ciências Naturais, não nascem de geração espontânea, são fruto de um trabalho de muita gente que trabalha diariamente para que uma nova geração de profissionais destas áreas se desenvolva nas nossas Escolas. 

Da leitura do relatório anual da OCDE (Education at a Glance 2017), retiramos o seguinte gráfico:






Uma análise rápida percebe-se que não existem Países Africanos neste gráfico pode ser porque se tratam apenas de Países da OCED e parceiros desta organização. O gráfico merece uma leitura cuidada e para que se entenda melhor estamos a falar das TIC, Ciências Naturais, Matemática e Estatística e por fim a Engenharia e a Construção, e a percentagem que ocupam nos diferentes países.

A questão que importa discutir é o esforço que estes países estão a fazer de uma forma concertada para atingirem estes valores. Certamente que operaram profundas alterações curriculares e um olhar diferente sobre a CTEM. Mas foi sobretudo o envolvimento de toda a sociedade e a mudança de mentalidade.  As empresas sabem que se quiserem sobreviver no futuro têm que investir no capital humano e que os seus funcionários têm de ser preparados e formados para trabalhar em ambientes novos e muitos deles ainda por descobrir. 

A aliança estabelecida entre as Universidades e as Empresas está hoje a dar os seus frutos. Um caminho que não foi fácil de percorrer.

Em Moçambique, um País em que o sistema de "educação para todos" tem pouco mais de 40 anos, a Educação é hoje obrigada a dar passos de gigante para tentar acompanhar ritmos de crescimento populacionais incrivelmente grandes. 

Os desafios são muitos e muito exigentes. Mas na Educação não há prioridades – tudo é necessário, tudo é urgente, para não hipotecar o futuro de milhões de jovens que têm que encontrar trabalho e trabalhar como em qualquer parte do Mundo.

A CTEM, é essencial para que o desenvolvimento ocorra, precisa de mais programas que levem a Ciência até junto das pessoas – escolas, empresas e universidades. É preciso entender que todos têm que trabalhar juntos para mudar mentalidades. A par do investimento em equipamentos é necessário um investimento ainda maior no capital humano para que a Educação possa transformar as pessoas.

Os profissionais da CTEM também virão de Moçambique. Não tenho dúvida disso.
Juntos pela Educação. 


OECD (2017), Education at a Glance 2017 : OECD Indicators (Summary in Portuguese), OECD Publishing, Paris, http://dx.doi.org/10.1787/8d2d11b2-pt.


quarta-feira, 14 de março de 2018

Stephen Hawking


"Inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança."
Stephen Hawking

O desaparecimento de Stephen Hawking é uma grande perda para a Humanidade. Ficou mais pobre a Ciência. Perdeu um dos grandes cientistas do nosso tempo e um comunicador de ciência.
Será lembrado por muitos motivos. Desde logo pela descoberta de que os buracos negros podem soltar partículas e radiação antes de desaparecerem. Ninguém acreditava, inicialmente, que partículas pudessem sair de buracos negros. "Não estava à procura delas. Apenas tropecei nelas", afirmou Hawking numa entrevista em1978 ao "The New York Times", mais tarde, o Professor de Matemática na Universidade de Cambridge, Hawking, fez parte de uma das mais importantes investigações no ramo da Física, sobre a Teoria de Tudo.  

Seria esta teoria a solução para as contradições entre a teoria geral da relatividade, de Einstein, que descreve as leis da gravidade que determinam o movimento de corpos como planetas, e a teoria da mecânica quântica, que lida com partículas subatómicas. 

Nesta missão quase divina, encontrar a Teoria de Tudo era, para a Humanidade, “conhecer a mente de Deus”.

Anos mais tarde, admitiu que aquela teoria talvez não exista.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Ciência, Grafeno e os ODS





O antigo Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, apostado em dar um novo impulso a esta organização apresenta o relatório do milénio, “Nós, os Povos, as Nações Unidas do Século XXI”, que posteriormente, é aprovada pelos Chefes de Estado e de Governo e que ficou conhecida como a Declaração do Milénio.

Nesta declaração, um dos temas aborda o “Desenvolvimento e erradicação da pobreza” e daí surgem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. A ideia era fantástica! Consistia em estabelecer uma parceria entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento, tendo em vista o desenvolvimento e a eliminação da pobreza.

Os objectivos, que não eram fáceis de alcançar, eram estes: reduzir a pobreza extrema e a fome; alcançar o ensino primário universal; promover a igualdade de género e o empoderamento das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental e criar uma parceria mundial para o desenvolvimento. Uma ideia fantástica para todos, mas sobretudo para os Países mais pobres.

O mundo está cheio de ideias fantásticas, que não deram resultados! Esta é uma delas.

Só não é de todo verdade, porque acabou por chamar atenção do Mundo para estes problemas mencionados sob a forma de objectivo, mas para problemas ainda maiores que todos vamos ter que enfrentar, como, por exemplo, as questões dos ciclos climáticos que têm tido graves repercussões na vida das pessoas mais vulneráveis.

Quinze anos passados e a ONU definiu os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para atingir, à escala global, até 2030. Este conjunto de metas tem o nome de Agenda 2030 e é fruto do trabalho conjunto de governos e cidadãos de todo o mundo. Sendo que agora a ideia é criar um novo Modelo Global que acabe com a pobreza, que promova a prosperidade e o bem-estar de todos, que proteja o ambiente e que combata as alterações climáticas.

Parecem metas muito mais difíceis de atingir. Dificilmente em 2030, todos estes problemas estarão completamente resolvidos ou com soluções à vista. Esta agenda incluí questões muito importantes, principalmente em Países Africanos, como o acesso a água limpa, o acesso aos cuidados de saúde ou o acesso a uma educação de qualidade.

Esta Agenda obriga a ser criativo e encontrar soluções que sejam escaláveis e que se integrem no Modelo que se pretende criar. Daí que a Ciência não possa, nem deva ficar de fora desta Agenda. 

Entre muitos outros contributos da Ciência, gostaria de falar no grafeno como uma contribuição para alcançar algumas destas metas.O grafeno é um novo material que que tem despertado o interesse nas mais diversas áreas do conhecimento, devido às suas excelentes propriedades físico-químicas, mecânicas, térmicas, eléctricas e ópticas e que pode ser utilizado em inúmeras aplicações.

É um material dos mais revolucionários da indústria tecnológica e promete ser uma verdadeira mais valia para o futuro da humanidade. Para além de ser flexível, impermeável e transparente, o grafeno consegue ser mais duro que o aço, mais fino que um fio de cabelo e melhor condutor de electricidade que o cobre.

O grafeno é constituído por uma camada extremamente fina de grafite, a mesma que está nos lápis e nos diamantes, com uma organização dos átomos numa estrutura particular.

São vários problemas do nosso quotidiano em que este material tem uma enorme vantagem. Os cientistas desenvolveram um filtro composto por óxido de grafeno que ajuda a filtrar a água do mar. Alguns estudos afirmam que estes conseguem filtrar químicos, vírus ou qualquer bactéria presente nos líquidos, conseguindo assim purificar a água.
Na Saúde, onde há milhões de pessoas sem acesso cuidados de saúde, o grafeno torna-se extremamente importante para substituir partes do corpo humano que requerem ligações a órgãos ou nervos. No melhor aproveitamento da energia solar, onde há estudos que apontam o grafeno como uma forma transformar qualquer plataforma numa fonte de energia eléctrica.

Muitas mais são as respostas que podem ser dadas apenas por este material, em muitas e diferentes áreas. Mas existem muitas outras investigações e muitos outros materiais que podem dar uma resposta mais eficaz, mais barata e mais abrangente e, assim, possibilitar a aproximação das metas da Agenda 2030.

O grafeno é apenas mais um material fantástico!

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Museu de História Natural e as personagens que nele habitam - Malangatana, Reinata e a cobra



O Museu de História Natural de Maputo, Moçambique, foi fundado em 1913 e ocupou vários locais até se estabelecer, em 1932, no actual edifício neo-manuelino como Museu Dr. Álvaro de Castro. Com a chegada da independência passa à sua actual designação.

Sou um fã deste Museu! É um espaço fantástico! Já não se fazem museus assim com animais empalhados. Agora que já passaram mais de cem anos precisam de restauro urgente.

Sobre este Museu conta-se numa história fantástica. Durante a noite todos estes animais ganham vida e procuram os seus lugares. É o caso do Serpentário, digno representante das aves em Moçambique, que durante o dia está na porta da frente a receber as visitas e à noite vagueia por todo o Museu na procura dos outros da sua espécie. Todos se agitam, correm, saltam e todos sabem que não podem acordar o crocodilo.

Sendo que além dos referidos animais habitam no Museu outras personagens… umas vivas, vivas a sério, e outras vivas nas paredes do Museu. Estranho? Não. Está tudo lá. É preciso percorrer os bem arranjados jardins, com plantas que se dão a conhecer de forma popular e com os pomposos nomes científicos, e encontramos o grande mural do Mestre Malangatana.



Aqui vive o Malangatana. Parte dele, melhor dizendo, já que o restante dele está espalhado em quadros por todo o Mundo. Tenho saudades das conversas com o Mestre.

Mas nem tudo está vivo na memória.

A Reinata está viva-viva! Uma das maiores ceramistas de África. Com mãos de barro faz esculturas fantásticas vindas da sua visão do Mundo. Um Mundo de "homenzinhos orelhudos" que nos desafiam e provocam com as suas mais variadas expressões. Perguntei à Reinata:

- Somos nós? Tenho a certeza que é assim que nos vês!


Não me respondeu, mas tentava agarrar-me com as mãos de barro!

Para terminar a visita ao exterior do Museu vou visitar outro animal vivo-vivo. A cobra.
Esta cobra tem história! Ela foi apanhada nas imediações da cidade e trazida para aqui, as suas amigas empalhadas encontram-se no interior do Museu e só passeiam à noite. Esta está cá fora e conversa com quem pode. Não é fácil falar com ela, as frases são arrastadas e tem aquela ideia permanente, que me incomoda, de abraçar sempre que pode. É uma história longa, de mais de quatro metros, que vos contarei um dia.

Este é uma imagem dos fantásticos seres que habitam o exterior do Museu em Maputo, Moçambique. Ah! Falta visitar a exposição de ciência... Sentir.com. 

Está tudo à vossa espera!

[As ilustrações são retiradas do livro “Perdido no Museu”, de António Batel Anjo e Nuno Negrões, com Ilustrações de Regina Mourisca. As fotos são minhas!]


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

258Science - primeiro aniversário.

Com a chegada de 2018 surge, também, o primeiro aniversário do blog 258Science. É um projecto moçambicano de Comunicação de Ciência, da responsabilidade da Osuwela, que ao longo deste ano publicou mais de sessenta textos sobre Ciência e Tecnologia de vários autores.

Este blog tem um impacto surpreendente! Tivemos mais de 5.000 leitores este ano, sendo que destes cerca de 2.400 são moçambicanos. Os restantes são de outros países tão surpreendentes como o longínquo Botão.

A título de exemplo, na semana entre 26 de Dezembro de 2017 e 2 Janeiro de 2018, tivemos leitores da Rússia, Moçambique, Estados Unidos, Hungria, Portugal e Ucrânia.  


Para um blog onde os textos são maioritariamente escritos em Língua Portuguesa não deixa de ser curioso.

Ao longo de um ano estes foram o número de visitantes por Países, com Moçambique em grande destaque. 


É uma aposta ganha! A ideia central deste projecto era que cada vez mais moçambicanos se interessassem por Ciência e Tecnologia e foi exactamente o que aconteceu. O que ilustra que havendo material disponível e de fácil acesso os leitores não faltam.

No dia em que sabemos que a população moçambicana é mais de 27 milhões de pessoas, na sua maioria jovens, é tempo de continuar a investir na qualificação profissional, na geração de emprego e na Ciência, como forma de desenvolvimento.  Não é fácil para um País desta dimensão, muito jovem (pouco mais de 40 anos), fazer tudo isto. O desenvolvimento é sempre muito mais lento do que o gostaríamos de ver acontecer. Mas estão aí, à vista de todos, os investimentos na industria extractiva, agricultura, pescas, industria transformadora e infra-estruturas. É preciso que tudo isto seja acompanhado por projectos de Ciência que gerem inovação e melhorem todos os aspectos da produção e de qualificação de novas gerações.

Esta é a nossa muito modesta contribuição para que a Ciência, em particular a Comunicação de Ciência, ganhe um espaço de relevo e que cada vez mais jovens se interessem por ela.

Um agradecimento muito especial a todos os autores do blog que dedicaram parte do seu tempo na escrita de interessantes artigos que tanto enriquecem este espaço. Contamos convosco em 2018!

BOM ANO NOVO, Juntos pela Ciência! 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Sentir.com


Terramotos e a Ciência




Ao terminar este ano encontrei uma notícia que me chamou a minha atenção. Dois cientistas estudaram o registo de terramotos ocorridos ao longo de séculos, e encontraram padrões do acontecimento de terramotos de grande magnitude que repetem de três em três décadas.
A ideia para suportar esta hipótese reside na variação cíclica da velocidade de rotação da Terra, que de trinta em trinta anos desacelera um pouco e esse facto provoca alterações na sua forma. A massa terrestre desloca-se para os pólos quando acelera e o efeito dessas alterações pode armazena uma quantidade de energia nas falhas geológicas que provocam os terramotos.

A noticia surge agora na imprensa porque, segundo parece, esse ciclo de trinta anos acontece em 2018. Seguindo esta teoria existe a possibilidade de o próximo ano trazer consigo um aumento do número de terramotos de grande magnitude.

Há muito que os cientistas perseguem um qualquer tipo de indicador para a sismicidade, isso dar-nos-ia um aviso do surgimento dos sismos, o que salvaria muitas vidas.
No entanto, com o conhecimento actual, prever terramotos é impossível! Sabemos, isso sim, onde é mais provável que eles ocorram através das zonas geográficas que apresentam as falhas na crosta terrestre que os provocam, mas não há forma de saber quando um determinado terramoto terá lugar.

No entanto, foi publicado um artigo[1] em que se apresenta uma “correlação” entre uma maior frequência de terramotos num determinado período de tempo e flutuações na rotação da Terra. Se isto for verdade vai permitir aos cientistas prever em que anos a frequência de terramotos tem tendência de aumentar. Muitos cientistas encontram-se muito sépticos em relação a esta hipótese. No entanto os autores do estudo tiveram uma enorme cobertura nos média levantando alguns dos problemas mais antigos do jornalismo sobre a ciência.

O problema está na pressão sentida pelos cientistas para publicarem artigos em revistas acreditadas, e para isso ter estudos com resultados que chamem a atenção o que leva os cientistas a manipularem os resultados dos seus estudos para conseguirem apresentar conclusões de impacto nos média

Quando chegam à comunicação social, esta toma por verdades conclusões provisórias e meras hipóteses, ou pelo menos apresenta-as como tal. Dizia um cientista que alguns dos trabalhos têm um eco extraordinário nas notícias, como é caso do estudo que chegou à conclusão de que um copo de vinho equivale a uma hora no ginásio[2]. Obviamente, notícias dessas põe em causa a credibilidade da ciência.

Não podemos esperar que todos os estudos apresentados estejam correctos, de cada vez que ouvimos uma notícia sobre um estudo científico, devemos ter presente a ideia de que quando apresenta uma teoria, um cientista não está a fazer mais do que isso: a apresentar uma possível explicação para algo, não uma certeza!

Segundo Bendick “alguém diz algo mais ou menos extravagante, toda a gente testa o seu trabalho e é assim que a ciência progride”, O estudo que fez com Bilham era, não uma previsão conclusiva de que 2018 será marcado por uma enorme quantidade de terramotos de grande magnitude, mas apenas mais um acréscimo ao lento progresso da Ciência.




[1] Bendick and Bilham, “Do weak global stresses synchronize earthquakes?”, Geophysical Research Letters, Published online 26 Aug 2017.
[2] https://www.youtube.com/watch?v=OVs6ozmZdfM

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

As competições EQUAmat@moz têm data marcada!


As Competições Nacionais de Matemática vão realizar-se nos dias 22, 23 e 24 de Novembro. 
A Plataforma EDU@moz está novamente disponível para todo o país, numa iniciativa da Organização Osuwela, do Programa Criando o Cientista Moçambicano do Amanhã (MCTESTP) e do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, financiada pelo Banco Mundial. Todos os alunos do Ensino Secundário podem aceder à plataforma, realizar provas de treino e inscrever-se nas competições em rede, que vão realizar-se nos dias 22, 23 e 24 de Novembro.

Depois de uma pausa de quatro anos, as competições estão de volta. Alunos de todo o país podem agora aceder a esta plataforma, totalmente remodelada e mais simples de usar, e participar nas competições EquaMat@moz (Matemática) e a InformaTICs (Informática).

O ensino da Matemática de forma lúdica torna a disciplina mais atraente, permitindo formar alunos participativos, críticos e confiantes no modo como lidam com esta matéria. A exigência e a preocupação com a inclusão de todos os alunos, a criação de uma mentalidade que valorize o esforço e respeite os ritmos de aprendizagem dos alunos são os objetivos que estão por detrás desta competição, permitindo uma aprendizagem mais atrativa e interativa das matérias lecionadas.



Exploram-se as áreas de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) de forma lúdica, o que torna as disciplinas mais atraentes, permitindo formar alunos participativos, críticos e confiantes no modo como lidam com estas matérias. Também se pretende difundir o uso da Internet como ferramenta de aprendizagem e a utilização dos meios de comunicação disponíveis, já que agora todos devem usar o e-mail para aceder à plataforma EDU@moz.

A EquaMat@Moz nasceu em 2003 pela mão do Projecto Pensas – Plataforma de Ensino Assistido de Moçambique, um projecto da Universidade de Aveiro e do Ministério da Educação, apoiado pela Cooperação Portuguesa. Durante 10 anos, as Competições Nacionais de Matemática permitiram aos alunos utilizar a rede informática instalada para melhorar as suas competências na área de Matemática, de forma lúdica.

As competições estão alojados na plataforma EDU@moz podem ser acedidas em http://edumoz.net em qualquer dispositivo com ligação à Internet (telemóvel, tablets, computadores). Os alunos devem informar-se junto da sua escola ou Clube de Ciência sobre onde poderão realizar a competição na sua cidade/província.

Os prémios são fantásticos. Os seis alunos mais bem classificados de cada prova, irão participar em competições internacionais no próximo ano! 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Aprender a estudar

Estudar não é só ler nos livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livres,
sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes, urgente,
mas os livros não são o bastante
para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer:
Aprender a estudar, a conhecer os
outros a ajudar os outros,
a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros,
aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo
e ter um amigo também é estudar
Estudar também é repartir
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado
Sem ninguém nos ditar;
E se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois, na escola da vida,
primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta de somar
que se pode fazer.
Dizer apenas música,
quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redação do mundo...
Estudar é muito
Mas pensar é tudo!

 Ary dos Santos (1937-1984)  

___

(José Carlos Pereira Ary dos Santos (Lisboa, 7 de Dezembro de 1937 — Lisboa, 18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador português.)

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

SENTIR.COM - Exposição interactiva C&T











Composta por dez módulos interactivos que, num conjunto coerente!e de forma apelativa e lúdica, permitem a familiarização com os fundamentos científicos de várias formas de comunicar, em relação com os 5 sentidos.

Uma exposição interactiva itinerante que se destina ao público escolar, mas está também adequada ao público adulto, fomentando o diálogo à volta da Ciência.
Pode visitar a Exposição no Museu de História Natural, Maputo, Moçambique.

Comunicação visual
  1. Módulo em que se explora a emissão e a detecção de radiações ultravioletas, visíveis e infravermelhos, em relação com todo o espectro electromagnético. Efeitos de luz polarizada, na gama do visível. Relações tecnológicas com a transmissão electromagnética dos nossos dias e com a comunicação visual no mundo animal.
  2. Módulo em que se usam filtros, em relação com o fenómeno da cor e com a visão quer no homem quer noutros animais.
  3. Módulo em que se usam lentes e olhos simulados, numa introdução à física e fisiologia da imagem nos olhos dos vertebrados e noutros animais. Defeitos de visão, máquina fotográfica e outras aplicações.
Comunicação sonora
  1. Módulo sobre a natureza dos sons, infra sons e ultrasons, em estreita relação com a comunicação entre animais. Relações tecnológicas.
  2. Módulo sobre as relações entre a música e a matemática, duas linguagens universais.
  3. Módulo em que se usa um ouvido simulado, numa introdução à fisiologia da audição nos humanos e noutros seres. O meio material e a transmissão do som.
Comunicação táctil
  1. Módulo sobre sensações tácteis em geral, incluindo a sensação de dor e as sensações de frio e quente.
  2. Módulo sobre o código de Braille e relações com outros códigos de comunicação, em especial o código binário e suas aplicações tecnológicas.
Comunicação química
  1. Módulo sobre a química e a biologia do cheiro nos humanos. Relações com comunicação e orientação noutros animais. Percepção de riscos.
  2. Módulo sobre o gosto, com identificação de sabores e interacção com o sentido do olfacto.
... com Soraia Amaro.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

C&T – um casamento, quase, perfeito!



A toda a hora somos confrontados com os termos empreendedorismo, inovação, tecnologia, desenvolvimento, ciência, em diversos meios de comunicação social. Torna-se importante perceber como surgem e porque surgem estes temas na linguagem dos média. Mais importante ainda é perceber qual o papel, conteúdo e importância dos mesmos no dia-a-dia.


A Revolução Industrial teve início em Inglaterra, entre 1760 e 1860, e foi marcada por um grande avanço tecnológico nos transportes, nas máquinas e obviamente na forma de produzir. Mais tarde, de 1860 a 1900, dá-se a expansão industrial em vários países e inicia-se a utilização de novas formas de energia eléctrica e energia derivada do petróleo. Mas foi a partir de 1900, que a revolução industrial atingiu os domínios da automação, robótica e se dão os primeiros passos na engenharia genética. A ciência, cujo crescimento está ligado de alguma forma à tecnologia atinge um grande desenvolvimento no século XVI, com o aparecimento do microscópio óptico. Desde modo a revolução industrial apresenta uma evolução inseparável da sua aplicação ao mundo desenvolvido. Desde o século XIX que a investigação científica e a tecnologia estão cada vez mais unidas e organizadas socialmente e, a partir do século XX, tornaram-se industrializadas e olhadas de um modo empresarial – nascendo aqui a base dos empreendedores de hoje aqueles que ousam inovar e correr riscos.

As políticas para a promoção da ciência e tecnologia (C&T) têm hoje avultados investimento em Ciência e atingem verticalmente todo o sector da Educação – desde a escola primária, às unidades de pesquisa e desde as Universidades até às empresas. Um exemplo clássico, referido assim em muita literatura, é o que aconteceu nos Estados Unidos após o lançamento do Sputnik, em 1957 – onde o investimento em Ciência e Tenologia foi estrondoso. Após este facto os avanços relevantes em termos de ciência e tecnologia surgem como medida de avaliação do desenvolvimento das nações no mundo.

Este abraço entre Ciência e Tecnologia comporta alguns desafios e a necessidade de criar cidadãos bem informados.

Tome-se como exemplo a biotecnologia. Esta é usada para produzir, modificar produtos para uso específico e tem sido aplicada na produção de alimentos, produtos químicos, bebidas e outros produtos dos quais colhemos o benefício em muitas áreas incluindo nutrição e cuidados sanitários desde há centenas de anos. Hoje a biotecnologia tem muitas mais áreas, por exemplo na saúde, na agricultura e nas pescas onde o seu impacto é enorme. No entanto se abrirmos um jornal facilmente encontramos referências: ao SIDA, ao aparecimento de bactérias resistentes a antibióticos, a novas armas biológicas, reciclagem, poluição, novos progressos e esperanças (tratamento de cancros, envelhecimento com qualidade de vida, tratamentos de doenças. Mas também de novos dilemas éticos como por exemplo a clonagem humana, também eles resultantes do avanço da Biotecnologia. Na verdade este é um confronto da ciência e tecnologia com a sociedade e que nos levanta muitas questões que têm influenciado a própria condição do homem.

O papel da Escola e os desafios constantes da Ciência.
Na Escola concretiza-se o direito à educação e esta tem uma origem dupla: alimentar… e conduzir para… Deste modo a educação resulta da preocupação de alimentar o aluno com conhecimentos e dar-lhe todas as ferramentas para o desenvolvimento das suas capacidades. Alimentar o aluno, isoladamente, é apenas ensinar o que reduz a educação a uma função instrumental de transmissão do conhecimento. Sendo que dar-lhe todas as ferramentas para o desenvolvimento das suas capacidades torna-se fundamental na educação – onde o principal objectivo é o desenvolvimento global da personalidade do aluno.

Neste Mundo em que vivemos os conhecimentos são substituídos por outros rapidamente e tudo muda à nossa volta de igual forma vertiginosa e a escola deve preparar a maioria dos seus alunos com os requisitos mínimos para uma inserção rápida no mercado de trabalho. Em suma tem de criar ou estimular o poder de reflexão e de crítica aliada a uma grande flexibilidade de raciocínio adaptado a novas situações.

O ensino das ciências tem que promover a construção e o aprofundamento do conhecimento científico para o desenvolvimento de competências que permitam o exercício da crítica, reflexão e entender a importância da Ciência hoje em dia, na qualidade de vida e na organização da sociedade.

A necessidade de ter uma verdadeira literacia científica, associada a um ensino das ciências capaz, vai permitir uma maior aquisição de conhecimento científico e a sua aplicação desse conhecimento em situações reais. É este o caminho para a promoção da participação activa na sociedade, através da discussão dos grandes desafios e questões levantadas pelo avanço das ciências e da tecnologia.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Ciência e Desenvolvimento Sustentável

“A preocupação com o ser humano e seu destino deve constituir sempre o interesse principal de todos os esforços técnicos... nunca se esqueçam disso nos vossos diagramas e equações”, Albert Einstein (1879 – 1955).

Esta citação adequa-se ao momento que vivemos – colocar o Homem e as suas aspirações, de conhecimento e de bem-estar, em primeiro lugar sem o qual não conseguiremos “encontrar” o Futuro da Humanidade.

A Ciência e da Tecnologia é um dos mais extraordinários empreendimentos da Humanidade e o Mundo em que vivemos. É o resultado do progresso científico do conhecimento e das aplicações tecnológicas resultantes.

A nossa sociedade moderna e industrializada assenta na disponibilização de avanços tecnológicos e ao longo do tempo tem vindo a ser criada a expectativa de que um dia estará disponível para todos. No mundo industrializado estes avanços possibilitaram a produção de alimentos, a segurança alimentar, a saúde e o bem-estar individual e colectivo, caracterizado pelo apoio às crianças e aos idosos, mas também um aumento do consumo descontrolado. O reflexo de todo este desenvolvimento nos países em desenvolvimento possibilitou, apenas, a melhoria dos sistemas preventivos de saúde e uma relativa segurança alimentar tendo como consequência o aumento das taxas de crescimento populacional. Curiosamente estes são dois aspectos – os altos padrões de consumo e as altas taxas de crescimento populacional – que maior contributo têm para o desgaste ambiental acelerado em que vivemos.

Numa perspectiva pouco pensada deste problema somos levados a pensar que esta pressão ambiental é fruto do avanço da Ciência e da Tecnologia, sendo esta responsável por todos estes problemas com que o mundo se depara. Mas é exactamente o contrário! Os problemas actuais advêm da pouca e má utilização da Ciência e da Tecnologia.

O desenvolvimento sustentável do ambiente passa por recuperar, ou não destruir, o património natural, preservar os ecossistemas e definir políticas para o uso racional dos recursos que permita maximizar o seu uso e o seu aproveitamento sócio-económico.

Como conciliar todos estes conceitos de forma a criar uma política geral que privilegie a segurança, o bem-estar das pessoas e que acomode nela todos os seus anseios de uma vida melhor? 

É evidente que tudo passa por uma radical transformação do nosso modelo de vida baseado no desperdício, no consumo e numa visão do lucro máximo no mínimo tempo possível. Qual é, então, o papel da Ciência e Tecnologia na construção de um desenvolvimento sustentável?

Ciência, Técnica e Desenvolvimento

Precisamos de investigar mais, saber mais, divulgar mais e construir novas ferramentas com as quais se possam descobrir novos caminhos seguros e sustentáveis. A melhoria do meio ambiente, a insistente e determinada política que conduza à eliminação da pobreza, a redução do crescimento populacional e outras formas de produzir bens e serviços que a Sociedade considera importantes acabam por estar ligados. O desenvolvimento futuro da Humanidade deve permitir o progresso sustentável e equitativo, tendo a comunidade científica um papel preponderante nestes desígnios.
A constante deterioração do meio ambiente através da poluição do ar, da água e do solo, o desflorestamento, que Moçambique também conhece, quase descontrolado tem consequências dramáticas para as populações mais desprotegidas e manifesta-se a nível global.

Tudo isto existe, há muitos anos, nos modelos e nos escritos dos Cientistas que foram muito pouco escutados pela Sociedade e em particular pela classe política mundial.

A consciência científica pública começa agora a despertar quando existe uma perda visível e irreversível da biodiversidade, a necessidade de redução dos gases poluentes porque provoca doenças e mal-estar geral, o aumento do efeito estufa e o aumento do nível do mar, o avanço dos desertos com a perda da parte superior do solo e a poluição generalizada das ruas e das praias pelos resíduos das grandes cidades que não param de crescer.

É certo, agora, na consciência pública que as actividades humanas produzem mudanças sérias, globais e permanentes. A comunidade científica desenvolveu teorias, conjecturas, projecções e modelos que de uma forma ou de outra previam este desfecho.

Problemas Globais respostas Internacionais

A consciência pública e os governos dedicam agora grande parte tempo ao meio ambiente global e ao impacto das actividades humanas sobre este. Mas não é só tempo que é gasto, a comunidade internacional despende avultadas quantias de dinheiro para prevenir e atenuar o mau planeamento de décadas que acabou por colocar as populações em risco.

Nem tudo são mudanças climatéricas, a maior parte dos desastres que vão acontecer são resultados de mau planeamento. Os cientistas há muito que vinham avisando que não se podem destruir as barreiras naturais, como as dunas, que o mangal é precioso para conter a subida das águas e a salinização dos solos e que estas zonas não deviam ser usadas para construções. O não cumprimento destas indicações tem agora as suas consequências dramáticas. A comunidade científica tem a responsabilidade de fornecer informações precisas acerca da situação e meios para monitorar as mudanças que vêm ocorrendo devido ao aumento crescente das actividades humanas.
Os cientistas têm à sua disposição instrumentos poderosos tais como satélites de observação terrestre, navios oceanográficos, computadores para armazenar e criar complexos modelos com base no conhecimento científico actual. Mas muito há para fazer. É necessário modelar a Natureza de modo a prever, reduzir as incerteza e fornecer conjecturas do seu comportamento. É este o caminho que a humanidade vai percorrer.

Todo este trabalho científico necessita de ser apoiado! Os problemas que enfrentamos são de natureza global e exigem um esforço internacional.

Para os Países em Desenvolvimento, como Moçambique, esta é uma oportunidade de desenvolver a sua Ciência e Tecnologia, formar os seus Investigadores, os grupos de investigação multidisciplinares e transdisciplinares e cooperar com os grandes centros de investigação. Sem nunca esquecer a Divulgação Científica com vista à criação de uma cultura Científica generalizada.
A comunidade científica está consciente que o estudo científico das mudanças globais não representa a totalidade dos esforços necessários para atingir metas importantes de Desenvolvimento Sustentável. O mais importante é a transformação das mentalidades e da sociedade.

É na Sociedade que se devem operar as necessárias movimentações de consciência social que levem ao desenvolvimento sustentável, sendo para isso necessário estabelecer pontes de diálogo e trabalho com todos. Engenheiros, Cientistas, Comerciantes, Industriais todas as organizações governamentais e não-governamentais que actuam directamente na sociedade devem trabalhar neste grande empreendimento de transformação social.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

SENTIR.MZ

A Ciência e os cinco Sentidos
Dez módulos interactivos de cores fortes, construídos e materiais plásticos e fibra de vidro que, num conjunto coerente e de forma apelativa e lúdica, permitem a familiarização com os fundamentos científicos de várias formas de comunicar, em relação com os 5 sentidos.

Uma exposição interactiva que toca, simultaneamente, o público escolar de todas as idades e o público adulto, fomentando a aprendizagem da Ciência.

Brevemente no Museu de História Natural em Maputo.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Geração 2030

Este programa foi batizado de “Geração 2030”, por ter como principais destinatários os jovens de hoje e incentivá-los a tornarem-se os cientistas de 2030. 
O objetivo passa por estabelecer uma relação de proximidade entre os jovens e a ciência, criando neles um interesse pelas matérias transmitidas e preparando-os para serem os cientistas do futuro.É objetivo deste programa, que se enquadra também no trabalho realizado pelo Pensas no âmbito da cooperação, conseguir criar pontos de contacto entre a ciência e os jovens, em Portugal e Moçambique, usando termos que conheçam e exemplos do dia-a-dia, que façam sentido para quem não tem um conhecimentos prévios na área.


Recorrendo a conteúdos, investigadores e imagens de apoio capazes de despertar o interesse dos jovens alunos em ambos os países, o “Geração 2030” comunica temáticas científicas como algo acessível e excitante, sem comprometer o rigor da matéria veiculada.

Desta forma, os jovens – tal como o público em geral -, deverão possuir uma ideia generalizada do papel da ciência na sociedade. Ao levar a cultura científica para fora das instituições, o “Geração 2030”estará a formar cidadãos esclarecidos e interessados, que poderão, efetivamente, abraçar um futuro ligado à área científica, por compreenderem que a Ciência está no nosso dia-a-dia, ajuda a compreender melhor o nosso Universo e fornece soluções visíveis para problemas reais.
Os programas podem ser vistos em:
Programas da Geração 2030


O programa “Geração 2030” foi apoiado por fundos comunitários, através do Compete – Programa Operacional Fatores de Competitividade, com o objetivo de alargar o âmbito da comunicação de ciência do Pensas@moz ao público em idade escolar. 

11 de Fevereiro - Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Este dia é uma oportunidade para que todos tomem uma posição a favor das meninas e mulheres na Ciência.
As meninas continuam a enfrentar estereótipos e restrições sociais e culturais, que limitam seu acesso à educação, impedindo-as de desenvolver carreiras científicas e de realizar todo o seu potencial. 
As mulheres continuam sendo minoria na investigação e na tomada de decisões na área da ciência. Isso lança uma sombra sobre todos os esforços para alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre Mudança Climática – sendo que ambos destacam os papéis-chave da igualdade de género e da ciência.
Ao mesmo tempo, meninas e mulheres suportam os fardos mais pesados da pobreza e da desigualdade – elas estão nas linhas de frente da mudança climática, incluindo os desastres resultantes de riscos naturais. 
A obtenção de progressos significativos deve começar com os direitos e a dignidade das mulheres, por meio do estímulo à sua criatividade.
Aqui ficam algumas, apenas algumas, das poucas mulheres que deixaram sua marca na evolução da Ciência: 
Hildegard de Bingen (1098-1179) Durante a idade média, as mulheres tinham acesso à formação nos conventos e foi como abadessa que Hildegard de Bingen (ou santa Hildegard, para a igreja anglicana) escreveu livros sobre botânica e medicina. As suas habilidades de médica eram conhecidas e frequentemente confundidas com milagres. 
Maria Gaetana Agnesi (1718-1799) A matemática espanhola descobriu uma solução para equações que ainda hoje se usam. É ela a autora do primeiro livro de álgebra escrito por uma mulher. Também foi a primeira a ser convidada para ser professora de matemática numa universidade. 
Ada Lovelace (1815 -1852) Ada é a primeira mulher a trabalhar em Algoritmos, tendo desenvolvido o seu trabalho em motores analíticos – a ferramenta que baseou a invenção dos primeiros computadores.  
Elizabeth Arden (1884- 1966)  Formada em enfermagem, começou sua carreira criando cremes para queimaduras na sua cozinha, usando leite e gordura. E assim nascia a Elizabeth Arden, uma das mais valiosas empresas de cosméticos da actualidade. 
Marie Curie (1867 – 1934)  Madame Curie é famosa pelos seus trabalhos pioneiros sobre a radioatividade, pela descoberta dos elementos polônio e rádio e por conseguir isolar isótopos destes elementos. Foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e a primeira pessoa a ser laureada duas vezes com o prémio: a primeira vez em Química, em 1903, e a segunda em física, em 1911. 
Florence Sabin (1871-1953) Florence é conhecida como “a primeira-dama da ciência americana” – ela estudou os sistemas linfático e imunológico do corpo humano. Tornou-se a primeira mulher a ganhar uma cátedra na Academia Nacional de Ciência dos EUA. 
Virginia Apgar (1909 -1974) É a criadora da Escala de Apgar, exame que avalia recém-nascidos em seus primeiros momentos de vida, e que, desde então, diminuiu as taxas de mortalidade infantil. Especialista em anestesia, ela também descobriu que algumas substâncias usadas como anestésico durante o parto acabavam prejudicando o bebê.