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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Quem Educa uma Mulher, Educa um Povo!


Em África existe um proverbio que diz “Quem Educa uma Mulher, Educa um Povo”, Esta frase diz muito sobre a presença e a importância das Mulheres nas Comunidades. É esta potencial faceta transformadora da Mulher na Sociedade moçambicana que torna, ainda, mais importante este dia 10 de Fevereiro dedicado à Mulher e às Meninas na Ciência. É necessário fazer uma grande reflexão que resulte num conjunto de medidas concretas para que se melhore a presenças da mulher na Ciência.
Uma pesquisa feita pela ONU, em 14 países, mostrou que a probabilidade de estudantes do sexo feminino obter um diploma de bacharel, mestrado ou doutorado em ciências, ou em áreas correlacionadas, é menos da metade do que se comparado aos homens. A ONU atenta a este problema criou essa data especial para as mulheres tendo em mente mais acesso e participação igualitária das mulheres na ciência.

A Diretora Geral  das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – Unesco – Irina Bokova, afirmou que a Agenda 2030, a que estão associados os Objectivos de Desenvolvimento Sustentáveis, não será alcançada sem o empoderamento das mulheres através da ciência.  A Directora vai mais longe e afirma que "mais do que nunca, hoje o mundo precisa da ciência e a ciência precisa das mulheres".

O último relatório da UNESCO sobre o assunto mostrou que as mulheres representam apenas 28% dos investigadores no mundo e a diferença aumenta ainda mais nos escalões mais altos. Segundo a UNESCO, as mulheres têm menos acesso a investimentos, a redes de estudo e até mesmo a cargos de topo nas empresas, o que as coloca em profunda desvantagem. É necessário que os governos que redobrem os esforços para dar mais poder a meninas e mulheres através da ciência, no sentido de se aproximar das metas da Agenda 2030.

A Osuwela, tem uma visão clara e um plano de acção para o desenvolvimento de recursos humanos nacionais capazes de carregar consigo os desafios da integração das Mulheres na Ciência. Esta assenta no pressuposto fundamental de que são necessários quadros qualificados de ambos os géneros para dar resposta às necessidades actuais e futuras do país.

A Osuwela colabora activamente com o programa “Criando o Cientista Moçambicano do Amanhã”, do MCTESTP, que foi lançado em 2006, e que visa a preparação de jovens estudantes para o prosseguimento dos estudos ou o ingresso no mercado de trabalho, nas áreas de STEM. Estamos conscientes do facto que que o número de alunos que demonstram interesse pelas áreas de STEM tem vindo a decrescer, e isso agudiza-se no caso das meninas, cuja presença em cursos relacionados com estas áreas do saber é ainda menor.

Espera-se que a descriminação positiva das meninas produza resultados a médio e longo prazo, sendo essencial para o equilíbrio social.

A propósito deste tema ouçam a entrevista da Prof. Rosália Vargas à Rádio ONU

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulheres na Ciência

© Odete Maximpua
Hoje, no dia Internacional da Mulher, recupero aqui o testemunho da Eng. Odete Muximpua, Mestre em Engenharia Civil.
Com o incentivo da sua professora de matemática, iniciou os seus estudos na UEM no curso de Engenharia Civil, depois de passar com distinção o exame nacional de admissão e, em 2000, era uma de apenas uma, num total de cinco mulheres, numa turma de 55 alunos. Em 2007, ingressou no Banco Mundial para trabalhar na estratégia urbana de Moçambique para a água e saneamento. Mais tarde, como quadro do Banco Mundial, voltou à universidade para iniciar o Mestrado.


O testemunho está no sítio do Banco Mundial e é de 2015. Infelizmente, para todos nós, com dados que não se alteraram (ver na integra). 

Aqui ficam alguns trechos do texto.

"As mulheres sofrem desproporcionadamente de falta de acesso ao ensino superior em Moçambique. Segundo a UNESCO, em 2011 a taxa bruta de matrículas de mulheres no ensino superior era de apenas 3.73%. Embora esta situação esteja presente nos países da África Subsariana, Moçambique está particularmente atrás no que toca à matrícula de mulheres assim como da generalidade de jovens nas disciplinas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Muximpua concluiu o ensino secundário com elevada classificação. Lembra-se de, a seguir, ter estado hesitante até ao último minuto quanto à escolha do curso de engenharia." 

“Aqui em Moçambique, são muito poucas as mulheres que seguem engenharia. A maioria das universitárias vai para ciências sociais ou medicina”.
"As matrículas no ensino terciário em África estão fortemente centradas em humanidades e ciências sociais, com apenas 25% dos estudantes a optarem pelas áreas de STEM. Entres os que o fazem, são poucas as mulheres. É este desequilíbrio que o PASET, uma parceria liderada por África para promover o ensino das Ciências Aplicadas, Engenharia e Tecnologia, está a tentar corrigir. O PASET tem por objectivo criar uma capacidade científica e técnica em África através de iniciativas, como por exemplo o fundo regional para bolsas de estudo e inovação (scholarship and innovation fund) e a avaliação dos programas ASET em instituições."
"Precisamos da ciência e da tecnologia para resolver os problemas de África em agricultura, energia, saúde, infra-estruturas e desafios como as alterações climáticas”, disse Sajitha Bashir, Gestor de Práticas de Educação do Banco Mundial para a África Austral e Oriental. “Isto torna as iniciativas, como a PASET, um elemento fundamental para os governos africanos que, agora, reconhecem a importância de apoiar o ensino da ciência e da tecnologia no continente”.