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segunda-feira, 27 de maio de 2019

100 anos do eclipse de 1919



"A população estacionou nas praças públicas, impressionada com o surpreendente espectáculo que a natureza lhe oferecia. Parecia que a aurora ia romper e, naquela escuridão, os galos cantavam e as avezinhas procuravam agasalho."


O jornal Folha do Littoral descreveu o momento em que a população de Sobral, no interior do Ceará, presenciou um eclipse total do Sol em 1919. Mas este não era um eclipse qualquer.

O fenómeno permitiu que um grupo de cientistas comprovasse pela primeira vez a Teoria da Relatividade Geral proposta pelo físico alemão Albert Einstein, comprovando experimentalmente esta teoria e uma das maiores revoluções da história da ciência. A Ciência nunca mais seria a mesma e o Mundo passou a olhar para Einstein, que até então era conhecido na comunidade dos físicos, como uma referência para a história da humanidade.


Faz hoje 100 anos que se deu o eclipse solar total mais famoso da história da ciência. 


Albert Einstein, Arthur Eddington (chefe da expedição) e Andrew Crommelin (observações astronómicas no Sobral).  

O sol esteve oculto entre a costa ocidental de África até ao Brasil. O eclipse foi fotografado por duas expedições científicas, uma na ilha do Príncipe e outra no Brasil, em Sobral. Quando o Sol ficou oculto as estrelas próximas ficaram visíveis e foi possível fotografá-las. Mais tarde quando comparadas as fotos tiradas no momento do eclipse e as fotos nocturnas foi possível observar um desvio da sua posição aparente provocado pelo campo gravitacional do Sol. 

Foi esta experiência que permitiu testar experimentalmente  a Teoria da Relatividade Geral de Einstein e o Mundo da Ciência nunca mais foi o mesmo.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Dar Tempo ao Tempo!

Eu tenho, aproximadamente, 50 anos, 244 dias, 14 horas, 32 minutos e 34 segundos, vivi 18 495 dias, 443 871 horas, 26 632 233 minutos e 1 597 933 954 segundos. Quando nasci a Terra tinha cerca de 3 000 milhões de habitantes e a população tem aumentado cerca de 1 000 milhões a cada 12 anos, são mais ou menos 225 000 novos habitantes por dia. Se quisermos ter imagens mais próximas desse crescimento, se bem que mais dolorosas, todas as pessoas que morreram na 1ª Guerra Mundial são "renovados" em menos de 3 meses e para "repor" todos o que morreram na 2ª Guerra Mundial são necessários nove meses.

Estes números, mostrados assim com esta frieza sobre os mortos das grandes guerras têm a particularidade de nos alertar que o controlo da população nunca será feito por catástrofes desta natureza. Ainda bem!

Mas é outro facto indesmentível que todas estas pessoas consomem energia, água, carne, peixe e vegetais e poluem o ar, a água e os solos a uma velocidade que coloca em perigo a regeneração da própria Terra. Vai existir um dia em não temos tempo para dar ao tempo da Terra!

O tempo é uma questão fundamental! Sendo mesmo uma condição fundamental à nossa existência. Começou por ser contado através das observações de fenómenos naturais, por exemplo, o dia e a noite, as fases da lua, a variação das marés ou do crescimento das colheitas. Sendo esta contagem do tempo influenciada pela própria compreensão da vida. Para um historiador, o tempo como um referencial de suma importância para que o Homem se situe no Universo. Sendo que estes não têm interesse pelo tempo cronológico, contado nos calendários, pois a sua passagem não determina as mudanças e acontecimentos.

O tempo cronológico ou seja as medidas exactas e proporcionais de tempo como nós estabelecemos para o uso diário não é considerado pela Natureza. A Natureza regula-se pelo tempo natural que usa para marcar a duração de cada um dos infinitos eventos que ela comanda, sem nenhum rigor na sua grandeza. Existem exemplos em que o nosso tempo está perfeitamente sincronizado como o tempo natural, como é o caso da duração dos períodos de decaimentos de isótopos radioactivos e de muitos outros átomos, o que permite a datação dos achados arqueológicos.

A natureza estabelece um tempo, que nós atrevidamente medimos, para que um determinado evento aconteça, mas ela é absolutamente liberal para não exigir uma duração exacta. A natureza espera que as condições ideais estejam reunidas para que ela faça a evolução de um sistema por exemplo a produção de clorofila de uma planta. A planta espera que estejam reunidas as condições ideais de humidade, temperatura e de outros índices para que o fenómeno se inicie.

Em contraponto nós vamos aperfeiçoando a nossa medição do tempo e temos agora o relógio atómico mais preciso do mundo, fazendo com que não se adiante nem se atrase um segundo durante 15.000 milhões de anos – ou seja, um período de tempo superior à idade do Universo, 13.800 milhões de anos desde o Big Bang. Os resultados foram publicados em Junho na revista Nature Communications e ficamos a saber que o nível de precisão do relógio triplicou desde o último melhoramento feito em relógios atómicos em 2014. O novo relógio atómico é ainda 50% mais estável, segundo o comunicado do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, no Colorado, onde trabalha a equipa responsável pelo trabalho o que poderá levar à substituição dos actuais relógios atómicos, que trabalham usando átomos de césio.

Este relógio é ainda capaz de medir as mudanças ínfimas na duração do tempo a diferentes altitudes, um fenómeno ligado à gravidade previsto pelo famoso físico Albert Einstein há um século. Na teoria da relatividade, Einstein previu estes efeito sobre o movimento pendular e que este seria mais rápido a maiores altitudes indicando uma alteração na força da gravidade.

A medição do tempo com mais precisão tem impactos directos na nossa vida quotidiana, como por exemplos nas tecnologias de posicionamento geográfico, vulgo GPS.

Aperfeiçoar as medições, as contagens, os cálculos, comprovar teorias, especular e conjecturar faz tudo parte da nossa forma de estar no nosso Mundo e no nosso Tempo que é o do Conhecimento. Somos movidos por esta motivação intrínseca de perceber o Tempo Natural que de facto alimenta toda a nossa existência. Temos que dar Tempo ao Tempo!