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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Conhecimento, Desenvolvimento e Inovação

Falar de Conhecimento, Desenvolvimento e Inovação é conversar sobre o futuro. As nossas Escolas, todas elas, seja qual for o grau de ensino, estão transformadas em grandes fontes de informação. Temos muitas dificuldades em fazer ensino experimental ou de campo, onde os alunos são levados a descobrir e tirar as suas conclusões em face da realidade, isto é, a produzirem Conhecimento. Mas nem tudo acontece na Escola e temos hoje ao nosso alcance fontes de informação aparentemente inesgotáveis.

O aspecto mais desafiante do Mundo em que vivemos é como transformar tanta Informação em Conhecimento? Nem toda a Informação que recebemos é importante e é preciso algum conhecimento para separar o que é verdadeiramente importante, do que é simplesmente descartável. Mas a sociedade não se faz à nossa medida e somos nós que temos de escolher!

Já a Inovação comporta vários desafios e muitas competências, das quais gostaria de destacar a Criatividade. Se fosse possível ensinar alguma coisa relevante para o futuro seria como ser Criativo!

É neste cenário de dúvida constante e consistente que vamos falar no próximo seminário do ISCTEM. - Conhecimento, Desenvolvimento e Inovação.

Estão convidados.






terça-feira, 2 de janeiro de 2018

258Science - primeiro aniversário.

Com a chegada de 2018 surge, também, o primeiro aniversário do blog 258Science. É um projecto moçambicano de Comunicação de Ciência, da responsabilidade da Osuwela, que ao longo deste ano publicou mais de sessenta textos sobre Ciência e Tecnologia de vários autores.

Este blog tem um impacto surpreendente! Tivemos mais de 5.000 leitores este ano, sendo que destes cerca de 2.400 são moçambicanos. Os restantes são de outros países tão surpreendentes como o longínquo Botão.

A título de exemplo, na semana entre 26 de Dezembro de 2017 e 2 Janeiro de 2018, tivemos leitores da Rússia, Moçambique, Estados Unidos, Hungria, Portugal e Ucrânia.  


Para um blog onde os textos são maioritariamente escritos em Língua Portuguesa não deixa de ser curioso.

Ao longo de um ano estes foram o número de visitantes por Países, com Moçambique em grande destaque. 


É uma aposta ganha! A ideia central deste projecto era que cada vez mais moçambicanos se interessassem por Ciência e Tecnologia e foi exactamente o que aconteceu. O que ilustra que havendo material disponível e de fácil acesso os leitores não faltam.

No dia em que sabemos que a população moçambicana é mais de 27 milhões de pessoas, na sua maioria jovens, é tempo de continuar a investir na qualificação profissional, na geração de emprego e na Ciência, como forma de desenvolvimento.  Não é fácil para um País desta dimensão, muito jovem (pouco mais de 40 anos), fazer tudo isto. O desenvolvimento é sempre muito mais lento do que o gostaríamos de ver acontecer. Mas estão aí, à vista de todos, os investimentos na industria extractiva, agricultura, pescas, industria transformadora e infra-estruturas. É preciso que tudo isto seja acompanhado por projectos de Ciência que gerem inovação e melhorem todos os aspectos da produção e de qualificação de novas gerações.

Esta é a nossa muito modesta contribuição para que a Ciência, em particular a Comunicação de Ciência, ganhe um espaço de relevo e que cada vez mais jovens se interessem por ela.

Um agradecimento muito especial a todos os autores do blog que dedicaram parte do seu tempo na escrita de interessantes artigos que tanto enriquecem este espaço. Contamos convosco em 2018!

BOM ANO NOVO, Juntos pela Ciência! 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Ciência e Desenvolvimento Sustentável

A preocupação com o ser humano e seu destino deve constituir sempre o interesse principal de todos os esforços técnicos... nunca se esqueçam disso nos vossos diagramas e equações, Albert Einstein (1879 – 1955).

Esta citação adequa-se ao momento que vivemos – colocar o Homem e as suas aspirações, de conhecimento e de bem-estar, em primeiro lugar sem o qual não conseguiremos “encontrar” o Futuro da Humanidade.

A Ciência e da Tecnologia é um dos mais extraordinários empreendimentos da Humanidade e o Mundo em que vivemos. É o resultado do progresso científico do conhecimento e das aplicações tecnológicas resultantes.

A nossa sociedade moderna e industrializada assenta na disponibilização de avanços tecnológicos e ao longo do tempo tem vindo a ser criada a expectativa de que um dia estará disponível para todos. No mundo industrializado estes avanços possibilitaram a produção de alimentos, a segurança alimentar, a saúde e o bem-estar individual e colectivo, caracterizado pelo apoio às crianças e aos idosos, mas também um aumento do consumo descontrolado. O reflexo de todo este desenvolvimento nos países em desenvolvimento possibilitou, apenas, a melhoria dos sistemas preventivos de saúde e uma relativa segurança alimentar tendo como consequência o aumento das taxas de crescimento populacional. Curiosamente estes são dois aspectos – os altos padrões de consumo e as altas taxas de crescimento populacional – que maior contributo têm para o desgaste ambiental acelerado em que vivemos.

Numa perspectiva pouco pensada deste problema somos levados a pensar que esta pressão ambiental é fruto do avanço da Ciência e da Tecnologia, sendo esta responsável por todos estes problemas com que o mundo se depara. Mas é exactamente o contrário! Os problemas actuais advêm da pouca e má utilização da Ciência e da Tecnologia.

O desenvolvimento sustentável do ambiente passa por recuperar, ou não destruir, o património natural, preservar os ecossistemas e definir políticas para o uso racional dos recursos que permita maximizar o seu uso e o seu aproveitamento sócio-económico.

Como conciliar todos estes conceitos de forma a criar uma política geral que privilegie a segurança, o bem-estar das pessoas e que acomode nela todos os seus anseios de uma vida melhor? 

É evidente que tudo passa por uma radical transformação do nosso modelo de vida baseado no desperdício, no consumo e numa visão do lucro máximo no mínimo tempo possível. Qual é, então, o papel da Ciência e Tecnologia na construção de um desenvolvimento sustentável?

Ciência, Técnica e Desenvolvimento

Precisamos de investigar mais, saber mais, divulgar mais e construir novas ferramentas com as quais se possam descobrir novos caminhos seguros e sustentáveis. A melhoria do meio ambiente, a insistente e determinada política que conduza à eliminação da pobreza, a redução do crescimento populacional e outras formas de produzir bens e serviços que a Sociedade considera importantes acabam por estar ligados. O desenvolvimento futuro da Humanidade deve permitir o progresso sustentável e equitativo, tendo a comunidade científica um papel preponderante nestes desígnios.
A constante deterioração do meio ambiente através da poluição do ar, da água e do solo, o desflorestamento, que Moçambique também conhece, quase descontrolado tem consequências dramáticas para as populações mais desprotegidas e manifesta-se a nível global.

Tudo isto existe, há muitos anos, nos modelos e nos escritos dos Cientistas que foram muito pouco escutados pela Sociedade e em particular pela classe política mundial.

A consciência científica pública começa agora a despertar quando existe uma perda visível e irreversível da biodiversidade, a necessidade de redução dos gases poluentes porque provoca doenças e mal-estar geral, o aumento do efeito estufa e o aumento do nível do mar, o avanço dos desertos com a perda da parte superior do solo e a poluição generalizada das ruas e das praias pelos resíduos das grandes cidades que não param de crescer.

É certo, agora, na consciência pública que as actividades humanas produzem mudanças sérias, globais e permanentes. A comunidade científica desenvolveu teorias, conjecturas, projecções e modelos que de uma forma ou de outra previam este desfecho.

Problemas Globais respostas Internacionais

A consciência pública e os governos dedicam agora grande parte tempo ao meio ambiente global e ao impacto das actividades humanas sobre este. Mas não é só tempo que é gasto, a comunidade internacional despende avultadas quantias de dinheiro para prevenir e atenuar o mau planeamento de décadas que acabou por colocar as populações em risco.

Nem tudo são mudanças climatéricas, a maior parte dos desastres que vão acontecer são resultados de mau planeamento. Os cientistas há muito que vinham avisando que não se podem destruir as barreiras naturais, como as dunas, que o mangal é precioso para conter a subida das águas e a salinização dos solos e que estas zonas não deviam ser usadas para construções. O não cumprimento destas indicações tem agora as suas consequências dramáticas. A comunidade científica tem a responsabilidade de fornecer informações precisas acerca da situação e meios para monitorar as mudanças que vêm ocorrendo devido ao aumento crescente das actividades humanas.
Os cientistas têm à sua disposição instrumentos poderosos tais como satélites de observação terrestre, navios oceanográficos, computadores para armazenar e criar complexos modelos com base no conhecimento científico actual. Mas muito há para fazer. É necessário modelar a Natureza de modo a prever, reduzir as incerteza e fornecer conjecturas do seu comportamento. É este o caminho que a humanidade vai percorrer.

Todo este trabalho científico necessita de ser apoiado! Os problemas que enfrentamos são de natureza global e exigem um esforço internacional.

Para os Países em Desenvolvimento, como Moçambique, esta é uma oportunidade de desenvolver a sua Ciência e Tecnologia, formar os seus Investigadores, os grupos de investigação multidisciplinares e transdisciplinares e cooperar com os grandes centros de investigação. Sem nunca esquecer a Divulgação Científica com vista à criação de uma cultura Científica generalizada.
A comunidade científica está consciente que o estudo científico das mudanças globais não representa a totalidade dos esforços necessários para atingir metas importantes de Desenvolvimento Sustentável. O mais importante é a transformação das mentalidades e da sociedade.

É na Sociedade que se devem operar as necessárias movimentações de consciência social que levem ao desenvolvimento sustentável, sendo para isso necessário estabelecer pontes de diálogo e trabalho com todos. Engenheiros, Cientistas, Comerciantes, Industriais todas as organizações governamentais e não-governamentais que actuam directamente na sociedade devem trabalhar neste grande empreendimento de transformação social.